Sobre mudar e aceitar isso: ainda faz sentido sentar em certas mesas?
A pior e a melhor parte de amadurecer é desenvolver auto-percepção.
Ela chega sem aviso; de repente, você se enxerga de fora, como quem assiste à própria versão antiga em câmera lenta. E, nesses dias, percebi algo difícil de admitir: eu não seria amiga da pessoa que fui alguns anos atrás.
Foi um choque, e, ao mesmo tempo, um alívio.
Porque perceber isso me mostrou o quanto mudei; o quanto cresci; o quanto é natural deixar pessoas, conversas, hábitos e ideias irem embora.
Não por mágoa, nem por arrogância — mas simplesmente porque já não fazem mais sentido.
Às vezes me pergunto: quem mudou? Eu ou elas?
Talvez essa pergunta nem importe tanto.
A mudança aconteceu; e isso, por si só, já é resposta suficiente.
Oito anos de terapia me ensinaram que não dá pra construir nada sólido rejeitando quem a gente foi. Aceitar o passado é o primeiro passo para fazer as pazes com o presente.
Hoje, olhando com distância, reconheço que não gostava muito da versão que existia ali atrás.
Eu era mais amarga, mais reativa, às vezes até cruel — com os outros e comigo mesma.
Revisitei conversas antigas e me vi distante. Quem é essa?
Mas é curioso perceber que, quatro anos atrás, eu adoraria estar naquela roda.
Estar exposta na internet me obrigou a
Hoje, prefiro estar em mesas que eu veja sentido.
E se isso significa recusar algumas coisas (ou pessoas), tudo bem.

Amei
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